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A BATALHA DAS CORRENTES | Baixa tensão da história acaba controlando as grandes faíscas do filme (Crítica) - Protocolo XP

Crítica

A BATALHA DAS CORRENTES | Baixa tensão da história acaba controlando as grandes faíscas do filme (Crítica)

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Mantido em stand-by por mais de dois anos para lançamento comercial, A Batalha das Correntes teve sua estreia no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2017 e foi um dos primeiros filmes a ser afetado pelo colapso de Harvey Weinstein, depois que ele foi acusado de assédio sexual sob o movimento #MeToo em Hollywood. Após o renascimento, com um novo corte e novos produtores, o longa finalmente conseguiu o seu tão desejado lançamento comercial e pelo o que vimos em A Batalha das Correntes, infelizmente o título da produção soa de forma mais enérgica do que o próprio filme. 

O longa acompanha um relato ficcional da luta entre Thomas Edison (Benedict Cumberbatch) e George Westinghouse (Michael Shannon) pela supremacia durante a expansão da energia elétrica durante a década de 1890, o assunto é inerentemente não cinematográfico e independentemente de quantos movimentos e inclinações o diretor Alfonso Gomez-Rejon emprega com seus cortes ligeiros e fabulosos, o senso de talento visual nunca supera a monotonia da narrativa.

Thomas Edison (Benedict Cumberbatch) em cena do filme “A Batalha das Correntes / Diamond Films

Cumberbatch interpreta Edison como uma versão mais superficial de um gênio que não era agradável, relacionável e que é atingido pela arrogância e cobiça. O roteiro creditado a Michael Mitnick leva consideráveis ​​liberdades com a vida pessoal de Edison. Um de seus três filhos é excluído do roteiro e não há menção de sua segunda esposa após a morte de Mary Edison (Tuppence Middleton), ele se casou com uma mulher que estaria com ele até sua morte, mas ela não aparece no filme. O rival de Edison, Westinghouse, é mais bem servido pelo roteiro e Shannon recebe um material mais forte para trabalhar criando a aparência de um personagem tridimensional. No entanto, se o núcleo do filme deveria ser a batalha entre os dois, é difícil não estar “torcendo por” Westinghouse em certas ocasiões.

Um dos grandes problemas do filme é que seu material mostrado se torna fútil para o espectador comum que não vai se importar com as diferenças entre a CA (corrente alternada) da Westinghouse e a CC (corrente contínua) de Edison ou por que o primeiro é melhor para aplicações de longa distância do que o último. Sugestões de cidades pequenas da América (representadas por Westinghouse) versus grandes cidades (Edison) não são desenvolvidas. Há muita fala tecno e os personagens tendem a se perder nesse pântano de tempos em tempos. Quando Edison experimenta uma tragédia, parece mais uma nota de rodapé do que um momento importante. O roteiro gasta uma quantidade excessiva de tempo em relação ao envolvimento do inventor da lâmpada no desenvolvimento de uma cadeira elétrica para execuções ordenadas pelo governo (Edison usa animais como cobaia para averiguar a funcionalidade deste novo tipo de punição). Ele também participa de uma campanha de difamação contra Westinghouse ao sugerir que a CA pode ser letal.

George Westinghouse (Michael Shannon) e Thomas Edison (Benedict Cumberbatch) em cena do filme “A Batalha das Correntes / Diamond Films

Além dos principais inventores, existem dois personagens secundários intrigantes, nenhum dos quais é efetivamente desenvolvido. A interpretação de Nicholas Hoult como o brilhante Nikola Tesla é adequada, mas o personagem é subutilizado e pouco desenvolvido, uma das maiores frustrações no longa (Tesla começa a trabalhar para Edison e sentindo-se subestimado, começa a trabalhar sozinho e no fim falha em se envolver com Westinghouse). Tom Holland interpreta o protegido de Edison, Samuel Insull, que perde importância à medida que a história avança. Cumberbatch e Holland trabalham bem juntos, e neste filme eles compartilham uma química melhor do que em Vingadores: Guerra Infinita.

Outro grande problema do filme é que os antagonistas compartilham a tela apenas no final do filme em uma cena bem normal que nos mostra uma conversa sem faíscas e de pura baixa tensão. Com o final perdendo a força, a cena em si não gera um grande clímax e o filme termina com um dos dois conseguindo um contrato após a exibição do teste de iluminação na Feira Mundial de Chicago e também da primeira execução na cadeira elétrica. No entanto, o evento real foi assombroso e Gomez-Rejon e o diretor de fotografia Chung-hoon Chung conseguiram resumir e mostrar de forma linda e encantadora com suas habilidades com a câmera a apresentação de Tesla, Edison e Westinghouse que teve ainda a companhia da brilhante trilha sonora de Danny Bensi e Saunder Jurriaans que usa de forma bem encaixada a recomposição de Max Richter sobre a composição Spring 1 de Vivaldi em As Quatro Estações.

Nikola Tesla (Nicholas Hoult) em cena do filme “A Batalha das Correntes / Diamond Films

Embora que A Batalha das Correntes transpire em um momento em que o advento da energia elétrica estava mudando quase todos os aspectos da vida americana, esses impactos são mal retratados na tela ou nem são apresentados. Os detalhes do período são bons e o filme faz uma tentativa de explorar Edison que tem uma personalidade que transita em admiração e raiva, algumas pechinchas entre os gênios com altos e baixos emocionais são mostradas também, mas o roteiro se abstém de uma narrativa mais abrangente para mostrar quem se tornou o azarão nesta batalha. 

Assim como Thomas Edison e George Westinghouse, o cineasta Alfonso Gomez-Rejon tem uma intenção de inovação, mas diferentemente dos dois inovadores americanos, a tentativa do diretor acabou sendo extremamente difícil de fazer na história, uma pena, pois o longa tinha tudo para ser um grande épico.


Trailer:

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A Batalha das Correntes

7.5

Nota para o filme:

7.5/10

Prós

  • Abordagem da História
  • Elenco
  • Trilha Sonora
  • Fotografia
  • Direção

Contras

  • História com inconsistências estruturais e narrativas, perdendo ritmo entre 2º e 3º ato
  • Pouco foco em Tesla
  • Trama muito explicativa
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