Crítica

A VIÚVA DAS SOMBRAS | Conheça a prima russa da bruxa de Blair (Crítica)

A Viúva das Sombras ou Vdova, titulo original russo de 2020, é a releitura de mockumentaries de sucesso como A Bruxa de Blair 1999 e Atividade Paranormal 2007. Tudo apresentado com uma pitada de folclore do leste europeu e sem a preocupação de ficar preso ao padrão de found footage, transitando com naturalidade entre as câmeras GoPro ligadas aos protagonistas e tomadas tradicionais.

Imagem Promocional: A Viúva das Sombras – Paris Filmes

Na historia temos mais uma vez o clichê de que se trata de uma história baseada em eventos reais, algo que se tornou padrão nos filmes de assombração graças ao sucesso de filmes como Invocação do Mal 2013. Então somos apresentados a uma área densamente arborizada próxima a cidade russa de São Petersburgo, onde todos os anos várias pessoas desaparecem somente para serem encontradas tempos depois sem vida e nuas.

Após essa apresentação em estilo de documentário sobre as características sobrenaturais do local, passamos a seguir uma equipe de resgate, especializada em busca e salvamento na floresta. A equipe está acompanhada da documentarista Kristina (Anastasiya Gribova), que deseja registrar o dia a dia de resgates naquele ambiente inóspito. Até que ao responder um chamado para localizar um garoto perdido, eles acabam indo de encontro a uma força maligna, que não pretende deixar ninguém sair dali com vida.

Imagem Promocional: A Viúva das Sombras – Paris Filmes

A fotografia do filme segue o padrão de quanto mais escuro melhor, já comum do gênero. Mas diferente de outros filmes onde esse artificio é usado sem necessidade e só compromete a experiência, aqui ele acaba ajudando a criar uma imersão maior, passando a sensação de estar em uma floresta tão densa que chega a ser permanentemente escura. A direção de arte também se destaca por não se prender na perspectiva POV das câmeras ligadas aos personagens e transitar bem entre esse tipo de cena e a perspectiva tradicional.

Quanto ao áudio, não há nada de memorável aqui. O filme por várias vezes coloca seus protagonistas sugerindo a grande importância dos sons nesse tipo de ambiente, mas quando algum artificio sonoro é utilizado ele acaba não trazendo nada especial com ele, o que cria uma expectativa que no final não é atingida. Um ponto positivo para o longa é que ele não tenta criar jump scares sonoros desnecessários, algo que anda na moda para filmes do gênero.

Imagem Promocional: A Viúva das Sombras – Paris Filmes

No quesito atuações, temos uma situação mais complicada para gerar uma avaliação. Pois a versão do filme que tivemos acesso, contava com uma dublagem em inglês tão vergonhosamente cômica por cima dos diálogos originais em russo, que em vários momentos o longa parecia mais uma comédia do que o terror que deveria ser. Sendo assim fica realmente difícil avaliar as atuações e entrega de falas dos atores sem ouvir os diálogos no idioma original. O que podemos é avaliar a dublagem em inglês e isso é fácil, basta dizer que está no mesmo nível da dublagem original em inglês do game de Playstation, Resident Evil. Resta torcer para que essa dublagem em inglês não chegue aos cinemas.

A Viúva das Sombras é uma tentativa russa de reviver um gênero cujo maior expoente foi A Bruxa de Blair mais de 20 anos atrás, e que mais tarde seria explorado até a exaustão na franquia Atividade Paranormal. O longa não é memorável em nenhum quesito e apresenta ideias que são meio datadas. Mas vale como curiosidade por ser uma obra do cinema russo, algo que vemos muito pouco por essas bandas, especialmente quando falamos de filmes de terror.


Trailer:

A Viúva das Sombras

5.5

Nota:

5.5/10

Prós

  • Boa ambientação
  • História interessante
  • Não fica preso na perspectiva das câmeras dos protagonistas

Contras

  • Ideias ultrapassadas
  • Execução medíocre
  • Dublagem em inglês cômica

Nelson Reverso

Nerd raiz, da época que o termo era xingamento. Amante do cinema especialmente o trash, games e cultura POP. Trekkie, maluco por ficção cientifica. E totalmente politicamente incorreto.

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