Crítica

BARRABÁS | Filme russo detalha a redenção do verdadeiro culpado pela execução de Cristo (Crítica)

Ao contrário da crença popular, o cinema russo fez uma contribuição significativa para a compreensão artística das ideias e símbolos cristãos. Não se pode mencionar o período pré-revolucionário com seu desejo tanto religioso quanto místico. Assim, a dolorosa visão de Jesus Cristo crucificado que dolorosamente carregou sua cruz sob um sol escaldante é uma história de drama para qualquer público querer conhecer e assistir.

Os enredos bíblicos não são tão mais interessantes em mundo globalizado no qual temos grande acessibilidade por diferentes culturas, mas de forma bastante elegante e competente, o cineasta Evgeny Emelin involuntariamente vai além dos debates de teólogos e historiadores, que classificaram Barrabás como o criminoso perdoado pelo povo no lugar de Cristo em um ladrão comum e que depois se tornou um rebelde que lutou pela independência da Judeia Antiga. Que na época estava sob o domínio romano. Havendo o perigo de adentrar ao princípio de uma melodramação, a história defendida por Emelin consiste em reduzir processos polissilábicos e de larga escala às ações de indivíduos sujeitos a fraquezas humanas.

O ator Pavel Krainov em cena do filme ‘Barrabás’ / A2 Filmes

Depois de interceder pela honra de uma mulher, o ladrão Barrabás (Pavel Krainov) foi preso. Smutyan enfrenta uma execução vergonhosa na cruz, no entanto, na véspera da Páscoa, de acordo com a antiga tradição judaica, é costume libertar um dos prisioneiros. O procurador da Judeia acredita ingenuamente que a multidão exigirá liberdade para Jesus Cristo, que não cometeu nenhuma atrocidade.

Mas o Salvador, há muito tempo, tornou-se um osso na garganta de sumos sacerdotes e fariseus, que veem nele a principal ameaça ao seu próprio bem-estar. Os planejadores estão fazendo todo o possível para conceder anistia a Barrabás para que Jesus seja crucificado. Barrabás faz um tremendo esforço para impedir que o promotor tome uma decisão “errônea” e a indicação de que Cristo é uma grande ameaça a hegemonia de Roma acaba colocando a autoridade do Sinédrio sobre a multidão em risco. Jesus é um grande revolucionário que provocou as mentes manipuladas na época a lutarem de forma pacifica por algo melhor, sendo está ameaça ao grande clero da época, Cristo é condenado e crucificado, a história que já conhecemos.

Jesus Cristo em audiência com o Sinédrio em cena do filme ‘Barrabás’ / A2 Filmes

O mais interessante do longa é que Jesus Cristo não ganha um grande destaque, ele é sempre mencionado, mas a visão que temos da grande santidade é de uma forma onipresente, o que acaba sendo um exagero com algumas caretas forçadas que alguns atores tentam expressar. Agora estando em liberdade, Barrabás vai tentar dolorosamente descobrir quem era Jesus e porque ele conseguiu conquistar essa áurea de grande divindade. Após a abrangente Paixão de Cristo de Mel Gibson, esforçar-se para filmar os principais momentos da história do Evangelho é quase impossível. A única maneira produtiva é mostrar os eventos da Semana Santa através dos olhos de suas testemunhas comuns, sobre as quais pouco se sabe nas fontes primárias. Um exemplo vívido é “Maria Madalena” estrelado por Rooney Mara no papel-título.

Os criadores russos de Barrabás seguiram o mesmo caminho. O rebelde, mencionado apenas brevemente no Evangelho, é a principal força motriz por trás da trama que ganha o grande apoio de uma linda trilha sonora feita pelo experiente e competente quarteto composto por Alexander Kendysh, Oleg Saxonov, Alexander Knyazev e Kirill Belorussov. Enquanto nas Sagradas Escrituras, Barrabás simboliza um modo de rearranjo revolucionário da realidade, geneticamente estranho ao espírito dos ensinamentos de Cristo, no filme o personagem-título aparece como um alter-ego do ladrão prudente Dismas, que experimentou uma revolução moral no Calvário.

Destacando sempre belas palavras, o misterioso e velho sábio Melchior (uma ótima interpretação de Zalim Mirzoev) é uma adição bastante eficaz para o desenrolar da trama arrastada. O personagem tenta ajudar Barrabás na sua descoberta e a irmã de Judas Iscariotes (que sempre ficará marcado como traidor e que por vergonha cometeu suicídio) Judith (Regina Khakimova), tentará de muitas formas impedi-lo de fazer isso. 

A atriz Regina Khakimova encarando o ator Pavel Krainov em cena do filme ‘Barrabás’ / A2 Filmes

Obstinado a querer resposta a todo custo, em algum momento, Barrabás se vê enredado nas intrigas dos poderosos clérigos de Jerusalém, o que leva o personagem a retornar ao lugar que ele estava antes de ir atrás dessas respostas. Pelo jeito que o personagem acaba ficando, parece que Cristo lhe poupou de um sofrimento eterno e lhe deu as respostas, o que acabou sendo algo bem tocante no final (a redenção pelo pecado sofrido). Apesar de uma série de personagens fictícios e uma biografia francamente pensada em mostrar uma famosa história com um olhar diferente, o filme usou como base o romance ficcional de Maria Corelli, uma escritora inglesa que interpretou está história bíblica em 1893 e lançou como um projeto missionário de muito sucesso.

Obviamente o filme não está isento de críticas. Como já destaquei, o filme peca na história arrastada, a edição simples faz com que o longa pareça uma minissérie de 4 capítulos que foi juntada para ser exibida na grande tela. O pouco orçamento é percebido também na minúcia elaboração dos figurinos e também na decoração simples dos cenários. A solução pictórica como um todo não é tão satisfatória, o que também pode surgir para alguns espectadores uma dúvida sobre como foi feita a escolha de determinados artistas em alguns papéis.

O ator Pavel Krainov em cena do filme ‘Barrabás’ / A2 Filmes

Mesmo assim, Emelin não tem medo de arriscar e sua liberdade para desenvolver todo o conteúdo é notável. A interpretação dos eventos, embora formalmente, não atendem exatamente aos cânones oficiais da igreja, contudo, o roteirista e diretor acaba não sendo imprudente ou oportunista com as Sagradas Escrituras e seu “Barrabás” dá a impressão de uma tentativa honesta de entender os meandros do destino deste homem que fez de tudo para compreender como Jesus tinha aquela áurea de grande poderoso. Talvez o verdadeiro significado não seja compreendido pelas pessoas imediatamente, mas o que é passado em tela é bastante respeitoso com Cristo e até com a ambientação da história.


Trailer: 


BARRABÁS (ESTREIA NOS CINEMAS BRASILEIROS NO DIA 12 DE DEZEMBRO DE 2019)

Rússia | 2019 | 115 min. | Drama – Religioso | 14 anos

Título Original: Barabbas | Varavva
Direção: Evgeniy Emelin
Elenco: Regina Khakimova, Pavel Kraynov, Zalim Mirzoev
Distribuição: A2 Filmes

Sinopse:

Pela primeira vez na Rússia, a base de um longa-metragem é a história bíblica da crucificação e ressurreição de Cristo. A peculiaridade do filme está na visão única da história, bem conhecida internacionalmente, que aqui vemos através dos olhos de um criminoso, Barrabás, que escapou da morte na cruz. O filme foi feito em gênero histórico, contado em linguagem cinematográfica e revela algumas das coisas desconhecidas da época. Foi dada muita atenção à imagem e à narrativa, para que ficassem totalmente compreensíveis ao grande público. Barrabás está tentando entender se Jesus é realmente o Filho de Deus. Em sua jornada em busca da verdade, ele encontra respostas para algumas perguntas que o fazem mudar de opinião sobre esta vida.

Barrabás (2019)

6.5

Nota para o filme:

6.5/10

Prós

  • Trilha Sonora Formidável
  • Direção Competente
  • Não teve foco excessivo em Jesus Cristo
  • Bons monólogos do ator Zalim Mirzoev como Melchior
  • Pavel Krainov atua bem como protagonista

Contras

  • História Arrastada
  • Edição Simples
  • Figurino e Cenários Amadores
  • Alguns atores coadjuvantes não se encaixavam nos papéis

Igor Ops

Professor de Biologia e Educação Física Escolar, amante de praticamente tudo do mundo nerd e lunático pela 7º Arte. Gosta da Marvel mas não tem vergonha de revelar para todos o seu amor platônico pela DC Comics e odeia a briga boba entre marvetes e dcnautas.

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