Crítica

JEXI: UM CELULAR SEM FILTRO | Deu a louca na Assistente Virtual! (Crítica)

Jexi – Um Celular Sem Filtro é uma comédia dirigida e escrita por Jon Lucas e Scott Moore, os caras por trás dos filmes “Se Beber Não Case”“Perfeita é a Mãe”.  Engraçada na medida certa, o filme gira em torno de Phil (Adam Devine), que é excessivamente dependente de seu telefone. Bem, não posso dizer que eu o culpo, pois ele cresceu dessa maneira. Quando criança, ele sempre ficava com um telefone no qual seus pais davam a ele para mantê-lo ocupado, o que por sua vez o fazia feliz.

Mesmo quando seus pais brigam em sua presença, eles apenas lhe dão um telefone para distraí-lo. Crescendo assim, ele se tornou tão dependente de seu telefone, o que acaba sendo um personagem sem amigos e namorada, apenas ele e seu telefone. Mas quando, incidentalmente, ele danificou seu precioso telefone quando esbarrou em Kate e, em substituição, conseguiu um novo telefone, uma interface interativa chamada Jexi, que foi programada para melhorar a vida de seu proprietário, o novo aparelho começa a atormentar a vida do rapaz.

Bem, no começo, parecia bom usar Jexi até Phil começar a sair com Kate e Jexi começar a “capturar” sentimentos, o que fazem da assistente virtual se tornar um telefone extremamente possessivo. De forma hilária, Jexi quer ser abraçada com amor e até fazer sexo, o que torna está parte em especial bastante engraçada. No entanto, o ciúme tornou-se a ordem do dia, pois ela queria estar no controle da vida de Phil e não sendo correspondida, Jexi tenta destruí-lo de forma bastante forçada.

Adam Devine e Alexandra Shipp em cena do filme Jexi – Um Celular Sem Filtro / Diamond Films

Precisa haver limites em tudo, e até em filmes de comédia precisar ocorrer, pois é justamente nessa parte que o longa perde força ao escrachar algumas piadas. Mesmo que Jexi tenha chega na vida de Phil sem explicação, e o que ficamos sabendo durante o filme é que ela foi programada para tornar a vida de um homem melhor, mas como uma entidade vingativa baseada na nuvem, ela também faz tudo o que você esperaria de um script de comédia. A assistente virtual mexe no Google Maps dele, pede comida que ele não come e até envia fotos de nudez para todos os seus colegas de trabalho. Jexi é mais interessante como um retrato antropológico do que todos pensávamos que nossos telefones estavam fazendo conosco nos últimos anos do que como um veículo de humor. 

O enredo é bastante justo e o desempenho dos atores não compromete a qualidade do longa, você com toda certeza irá dar pelo menos duas risadas em algumas situações bastante hilárias, o que faz do filme uma sátira da obsessão milenar da tecnologia, pois Jexi é como se a IA nela fosse criada por grandes comediantes. O telefone (dublado originalmente por Rose Byrne em uma imitação da Siri) menospreza Phil por ser um solitário antissocial, rápido demais para desistir de seus sonhos profissionais e covarde demais para fazer amigos ou pedir uma garota para um encontro, literalmente Jexi tira sarro de tudo com Phil.

Adam Devine em cena do filme Jexi – Um Celular Sem Filtro / Diamond Films

Parece provável, com base na preguiça do conceito e na masculinidade genérica deste filme, que Lucas e Moore não pensaram muito na natureza específica do comportamento de Jexi. Mas engraçado o suficiente, eles encontraram algo real aqui. Nossos dispositivos fazendo de nós, um pouco mais a cada dia, berram por instruções sobre onde ir, o que comer e qual música devemos ouvir. Insistimos em que somos adultos competentes e independentes e, no entanto, estaríamos perdidos sem eles, por isso tomamos tudo o que eles divulgam, mesmo quando invadem nossa privacidade ou riem de nós.

Ok, nenhuma dessas observações é exatamente nova e Jexi – Um Celular Sem Filtro em geral não é inteligente o suficiente para fazer qualquer coisa com os intrigantes problemas de dependência criados entre Phil e seu telefone. Mas dê crédito por ser marginalmente melhor do que qualquer comédia idiota, sem ser exibida para críticos sobre uma Siri de boca suja que tem o direito de falar o que quiser. Por um lado, apesar da energia do velho homem que às vezes se infiltra no humor, o filme é bastante preciso em sua representação da vida espiritualmente vazia dos yuppies (jovens profissionais urbanos). 

Adam Devine e Michael Peña em cena do filme Jexi – Um Celular Sem Filtro / Diamond Films

Adam Devine transmite de forma não tão irritante um personagem bobo e o elenco de apoio tem melhor sorte em manter o lado não tão forçado do longa. Michael Peña, especialmente, é hilariante maníaco como o chefe de Phil, revelando sabedoria sobre como fazer clickbait sobre a família real britânica, enquanto ele sai da sala de conferências. O cara precisa estar em mais comédias. Alexandra Shipp (X-Men: Apocalipse) é encantadora como o interesse amoroso, uma hipster ao ar livre que administra uma loja de bicicletas e em grande parte desistiu da tecnologia. E Wanda Sykes, como funcionária de uma loja de telefones, faz um bom elo entre seus clientes obcecados por dispositivos moveis.

O filme para mim foi um bom passatempo, embora não seja um filme sério, mas tenta chamar a atenção de como a maioria das pessoas pode ser viciada em seus telefones, excluindo-se da diversão do mundo exterior, assim como Phil. A história do longa tentou inovar em abordar um assunto que obviamente se casa com muitas pessoas hoje em dia e que apenas preferem estar em seu quarto com o seu telefone.

Esse tipo de filme de humor é bom para dar algumas risadas, embora o público-alvo do filme não dificilmente irá conferir. Os viciados em dispositivos estão mais distantes hoje em dia e não têm mais atenção para se sentar em um cinema e absorver um filme de 1 hora e 24 minutos sem olhar para seus próprios telefones. E isso vale quando o filme em si é apenas intermitentemente digno de sua atenção, principalmente na companhia de amigos.


Trailer:

 

Jexi - Um Celular Sem Filtro

5.5

Nota para o filme:

5.5/10

Prós

  • Bom elenco
  • Enredo voltado a tecnologia interessante

Contras

  • Algumas cenas forçadas para serem cômicas acabaram ficando sem graça
  • Não explica porque a IA é possessiva
  • Protagonista não tem boas motivações

Igor Ops

Professor de Biologia e Educação Física Escolar, amante de praticamente tudo do mundo nerd e lunático pela 7º Arte. Gosta da Marvel mas não tem vergonha de revelar para todos o seu amor platônico pela DC Comics e odeia a briga boba entre marvetes e dcnautas.

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