Crítica

MAIS QUE ESPECIAIS | Vincent Cassel é sublime em tragicomédia sobre a burocracia no sistema de saúde francês (Crítica)

Vincent Cassel e Reda Kateb interpretam dois profissionais de saúde idealistas que trabalham com crianças gravemente autistas. A tragicomédia é um panfleto simpático à humanidade e contra a rígida burocracia do sistema de saúde francês

Em Mais Que Especiais (Hors Normes), Bruno (Vincent Cassel) cuida de um grupo de crianças com autismo grave em um centro de recepção restrito em Paris. Quando a instituição ameaça fechar, aparentemente as regras não são cumpridas e ele aponta as fotos de seus clientes na parede para os dois fiscais que vêm visitá-lo em seu escritório encardido.

Cena do filme ‘Mais Que Especiais (Hors Normes)’ / Califórnia Filmes = Foto: Divulgação

Essa cena teatral é exemplar para a obra dos cineastas Éric Toledano e Olivier Nakache. A dupla, conhecida por sucessos como Intocáveis (2011) e Samba (2014) fazem filmes públicos fantasiados de filmes de arte. Mais Que Especiais (Hors Normes) acabar abordando uma boa complexidade em seu assunto e revela um pouco da burocracia sistema de saúde francês, o que causa uma boa propulsão no enredo relativamente simplificado. Isso dá ao filme um caráter romântico que se ajusta com alguns problemas de ritmo na história.

Mas isso não diminui necessariamente a mensagem, pois Mais Que Especiais (Hors Normes) também é um filme simpático. Isso também depende do elenco: Reda Kateb interpreta Malik, colega de Bruno que treina jovens dos bairros parisienses para virem trabalhar no atendimento juvenil. Kateb e Cassel são como dois amigos que se conhecem há toda a vida e também são incrivelmente charmosos. Sua interação com os outros personagens, principalmente crianças autistas brincando é tocante e parece bem verdadeiro.

Cena do filme ‘Mais Que Especiais (Hors Normes)’ / Califórnia Filmes = Foto: Divulgação

Para pessoas como Joseph, o cuidado de Bruno é a última opção. O jovem está ansioso para trabalhar, mas tende a machucar a si mesmo e aos outros. Por exemplo, Joseph regularmente puxa o freio de mão do metrô (uma grande piada no filme). Então Bruno tem que convencê-lo a sair das mãos da polícia ferroviária novamente. Toledano e Nakache provam ser mestres em encontrar humor em situações difíceis. A medida de emergência de Joseph também é uma boa metáfora e cabe a Bruno e Malik colocarem as crianças que saíram dos trilhos de volta no caminho certo (e como mostra o filme, isso também pode ser uma pista com grandes obstáculos).

Bruno aliás é o personagem que confere mais prestígio ao filme, baseado no trabalhador judeu Stéphane Benhamou. Vincent Cassel é uma grande estrela que adora interpretar figuras problemáticas e francamente falsas, retratar seu personagem de uma forma tão simpática e real no filme deixa o espectador bastante interessado em sua jornada, pois o filme costuma ser espirituoso, como as cenas com o estagiário Dylan, que descongela lentamente a trama do incorrigível Joseph, que não consegue evitar de puxar o freio de mão.

Cena do filme ‘Mais Que Especiais (Hors Normes)’ / Califórnia Filmes = Foto: Divulgação

No geral, Mais Que Especiais (Hors Normes) é um filme francês verdadeiramente social que visa colocar os marginalizados no centro das atenções, onde o sorriso e a lágrima se alternam sem esforço em um filme que tem o coração no lugar certo. 

Trailer:

Mais Que Especiais (Hors Normes)

8

Nota:

8.0/10

Prós

  • Atuação de Vincent Cassel
  • Enredo interessante
  • Boa direção

Contras

  • História lenta

Igor Ops

Professor de Biologia e Educação Física Escolar, amante de praticamente tudo do mundo nerd e lunático pela 7º Arte. Gosta da Marvel mas não tem vergonha de revelar para todos o seu amor platônico pela DC Comics e odeia a briga boba entre marvetes e dcnautas.

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