Crítica

O DIVINO BAGGIO | Crítica do filme

Cinebiografia tem roteiro apressado e narrativa aleatória

A Netflix vem investindo pesado em conteúdo original, e cá entre nós, a empresa tem em seus projetos grandes acertos, erros e até produções que podemos classificar como aceitáveis. O filme italiano O Divino Baggio (Baggio: The Divine Ponytail/Il Divin Codino) acaba entrando nesta categoria intermediaria ao abordar a vida de um dos maiores jogadores de futebol, Roberto Baggio, que é uma grande lenda do futebol europeu e mundial.

O Divino Baggio (Baggio: The Divine Ponytail/Il Divin Codino) / Netflix – Foto: Divulgação

A produção mostra a jornada de um menino pertencente a uma família da classe trabalhadora até se tornar provavelmente o jogador de futebol mais querido da Itália. Dirigido por Letizia Lamartire, o longa acaba focando nos sentimentos pessoais de Baggio em alcançar seus objetivos na vida do que em sua carreira profissional como um jogador de futebol famoso. Claro, o futebol acaba se destacando no filme, mas não é sobre Baggio das 4 linhas que conhecemos e sim sobre Baggio como humano. 

Esta abordagem parece diferente de outras produções biográficas de lendas esportivas e o roteiro acaba tentando justificar isso de forma muito enfadonha, pois tudo é muito apressado terminando com as cenas-chave totalmente subdesenvolvidas ao longo do filme. Além disso, as mudanças abruptas de tempo e o ritmo rápido excessivo do filme não permitem que você se envolva com a narrativa inteira. Fora ainda que as cenas importantes das partidas de futebol não são tão bem projetadas e precisam de mais detalhes, trazendo apenas filmagens reais de jogos com cortes rápidos de familiares e torcedores assistindo ao jogo na TV ou ouvindo no rádio. 

O Divino Baggio (Baggio: The Divine Ponytail/Il Divin Codino) / Netflix – Foto: Divulgação

Por exemplo, em uma cena específica, mostra que a primeira partida está prestes a começar e, em seguida, passa para a discussão pós-partida. Esse tipo de edição desmotivada acaba dando ao espectador uma sensação de choque e restringe sua expectativa. Mas mesmo com seus problemas, o longa trabalha bem a crença religiosa budista de Roberto Baggio. Algumas das citações sobre sua vida são bastante relacionáveis e a filosofia do budismo realmente significa toda a história de vida de sua grande personalidade, fora ainda que toda a sua jornada é bem definida por essa filosofia e essa parte do filme é bem marcante.

Já nas atuações, o ator Andrea Arcangeli como Baggio é bastante crível e desempenha o papel muito bem. De sua frustração, crença religiosa, relacionamento com seus fãs e família, são totalmente convincentes e para quem conhece e viu o jogador vai notar uma grande semelhança entre o ator e o famoso atleta. Outra destaque fica também para Andrea Pennacchi como pai de Baggio, tanto Arcangeli e Pennacchi se entregam bem na complexa relação pai e filho e isso acaba sendo um dos destaques importantes da trama.

O Divino Baggio (Baggio: The Divine Ponytail/Il Divin Codino) / Netflix – Foto: Divulgação

No geral, O Divino Baggio é uma boa tentativa de produzir mais longas sobre o mundo do futebol, mas se torna um filme biográfico não memorável de um dos maiores jogadores de futebol da Itália e do mundo. Devido ao seu roteiro apressado e narrativa aleatória, a produção da Netflix não consegue envolver o espectador de forma geral com o filme, o que torna um entretenimento totalmente esquecível.

Sinopse:

Sucesso na carreira, lesões e budismo: conheça a história de Roberto Baggio, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos.

Trailer:

O Divino Baggio

5.5

Nota:

5.5/10

Prós

  • Boa direção
  • Ótimas atuações
  • Lado humano e emocional do jogador

Contras

  • Roteiro apressado
  • Narrativa aleatória
  • Edição desmotivada

Igor Ops

Professor de Biologia e Educação Física Escolar, amante de praticamente tudo do mundo nerd e lunático pela 7º Arte. Gosta da Marvel mas não tem vergonha de revelar para todos o seu amor platônico pela DC Comics e odeia a briga boba entre marvetes e dcnautas.

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