Crítica

THE MAN IN THE HIGH CASTLE | Uma maravilhosa série sobre um insano universo paralelo distópico (Crítica)

Em 2014, a Amazon Studios e a produtora Scott Free (responsável por séries de sucesso como The Good Wife e Numb3rs), fecharam uma parceria para produzir a adaptação de The Man in the High Castle (O Homem do Castelo Alto). A ideia original de adaptar o livro foi de Frank Spotnitz, roteirista de Arquivo X e Strike Back. O livro publicado em 1962 por Philip K. Dick mostrava uma realidade alternativa onde os aliados tinham perdido a Segunda Guerra, fazendo com que os Estados Unidos fossem divididos entre a Alemanha de Hitler e o Japão do Imperador Hirohito.

A serie mostra o clima entre os dois países que sempre foi delicado, com armações políticas entre as duas potências, muito similar à realidade da época que K. Dick descreveu em seu livro. Além do clima de tensão, tanto alemães como japoneses tentavam achar e capturar o autor de um livro considerado subversivo, que mostrava o mundo numa realidade onde Alemanha e Japão tinham perdido a guerra. Mas nesta adaptação, a ideia do livro foi substituída por filmes contendo imagens de uma realidade chocante demais para os opressores da história. Começa então, uma caçada ao responsável por distribuir não só um, mas vários filmes curtos mostrando essas realidades como se fosse de submundos e neste vai e vem de filmes aparece Juliana Craine (Alexa Davalos, de Fúria de Titãs), peça fundamental em toda a história.

Cena da série The Man in the High Castle (O Homem do Castelo Alto) / Scott Free & Amazon Studios

Juliana tenta se adaptar à rotina de São Francisco, principal cidade do governo japonês nos Estados Unidos. Professora de Judô, sua vida muda radicalmente quando vê sua irmã assassinada pela guarda japonesa. Com isso ela descobre que a irmã fazia parte da Resistência Americana e que era importante ela tentar localizar e falar com o Homem do Castelo Alto. Ao ver o conteúdo do primeiro filme, Juliana percebe que sua vida jamais será a mesma. Além de Julia Craine, três outros personagens se destacam na história, o lado alemão Obergruppenführer John Smith (Rufus Sewell, de Cidade das Sombras), uma espécie de secretário geral do Reich nos EUA, que trabalha e vive em Nova York. Do lado japonês, o ministro do comércio Nobosuke Tagomi (Cary-Hiroyuki Tagawa, de Perdidos no Espaço) e o Inspetor Kido (Joel de La Fuente, de Os Agentes do Destino) que ao meu ver é um cara foda de mais! Cada um deles tem seu motivo particular para tentar capturar Juliana e descobrir um jeito de capturar o Homem do Castelo Alto.

A cada nova temporada, o conceito utópico criado para a série vai mergulhando na ficção científica mesclando conceitos clássicos. Os produtores foram muito habilidosos em usar o livro de K. Dick apenas como base para o desenvolvimento da série. Tanto que a primeira temporada é praticamente a adaptação do livro. A partir da segunda, muitos elementos são incorporados à trama, que transformam a história em algo muito diferente e ao mesmo tempo adapta um clima “misterioso”.

Esta história de O Homem do Castelo Alto chegou ao fim com sua quarta e última temporada que se divide entre “dar mais alguns detalhes” (muito rápidos e que depende da concentração do espectador) sobre os pontos de contato entre os mundos paralelos, enquanto alguns personagens como Juliana e Tagomi (o ministro do comércio do império japonês) possuem a habilidade de se deslocar pelos mundos através de estados alterados de consciência, com os nazistas precisando de uma pesada parafernália tecnológica – uma espécie de túnel subterrâneo baseado em mecânica quântica.

Cena da série The Man in the High Castle (O Homem do Castelo Alto) / Scott Free & Amazon Studios

Após vencer a guerra, a ambição da raça ariana será agora conquistar todos os mundos paralelos e espiões são enviados para trazer novas tecnologias e sabotar as potências que venceram os nazistas, projeto pesquisado conhecido como “Die Nebenwelt”. Claro que pra isso centenas de cobaias foram sacrificadas no experimento e nem todos conseguem passar para os outros mundos – a não ser que a sua versão alternativa não exista ou tenha morrido. É o paradoxo do Doppelgänger: duas versões alternativas não podem ocupar a mesma dimensão.

Com novos personagens na temporada final: o grupo Rebelião Comunista Negra, uma espécie de Panteras Negras com a liderança carismática da ativista Bell Mallory (Frances Turner), as suas táticas de guerrilha armada, atentados e sabotagens sistemáticas farão o Império Japonês desistir e se retirar dos “Estados do Pacífico” (a Costa Oeste dos EUA), acelerando os eventos que culminarão numa crise política interna do Terceiro Reich.

Sendo assim, a série é espetacular e tem uma estimulante combinação entre ficção científica, espionagem e política onde te prende na história desta guerra de poderes.


Trailer da 4ª temporada:

The Man in the High Castle

8.5

Nota para a série:

8.5/10

Prós

  • Ótima adaptação da história
  • Ótimo Elenco
  • Ótima fotografia de cena

Contras

  • Pontos da história em aberto

Erik Ops

Designer de interiores e especialista na área de medicina. Curto jogos retrô como Pinball e Alex Kidd. Gosto de desenhar e fazer street art. Amo muito tudo isso!!

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