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WATCHMEN | As respostas são espelhadas sem medo - Episódio #05: Little Fear of Lightning (Crítica) - Protocolo XP

Crítica

WATCHMEN | As respostas são espelhadas sem medo – Episódio #05: Little Fear of Lightning (Crítica)

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Dando pontapé na metade de sua série de nove episódios, Watchmen vem tendo muito mais sucesso em grande parte porque reconhece as diferenças entre quadrinhos e televisão. Mas também o show consegue não identificar uma semelhança chave entre todas as histórias em série, mas os quadrinhos e a televisão em particular, contam várias histórias uma vez. Há a história de um episódio em particular, a história de uma temporada específica e a história de toda a série. 

Neste episódio somos apresentados o Wade Tillman, nascido e criado em Oklahoma, também conhecido como Detetive Looking Glass nos revela sua saga em que ele sofreu durante sua vida inteira com um medo que o consome e como circunstâncias menos desejáveis ​​o aliviam disso. Wade é o único personagem principal em Watchmen que sabemos até agora estar dentro do alcance da “explosão psíquica” quando a lula de Adrian Veidt destruiu Nova York em 2 de novembro de 1985. Bem, Wade estava em Hoboken, Nova Jersey, mas perto o suficiente. Wade fazia parte de uma igreja cristã revivalista que pegou um ônibus de Tulsa até a costa leste para implorar ao pecador que se arrependesse de seus pecados antes que a guerra nuclear que se aproximava vaporizasse todos eles. 

Wade Tillman/Detetive Looking Glass (Tim Blake Nelson) assistindo TV e se alimentando em sua casa – Watchmen / HBO & DC Entertainment

O jovem Wade (interpretado pelo jovem e talentoso ator Philip Labes) enfrentou seus demônios antes mesmo de a lula cair. Os jovens fumantes de jaqueta de couro são previsivelmente resistentes à sua mensagem até que um deles, uma jovem atraente, o leva a um corredor de espelhos. Ela acaba tirando todas as roupas de Wade, enquanto o apimenta de perguntas sobre sexo, o apocalipse invasor e também sobre o mais crucial, se o personagem está tendo “medo” e do que ele teme “medo”Com a resposta do personagem, a garota foge com suas roupas, deixando Wade nu e humilhado. Momentos depois, a lula chega, enviando uma onda de choque psíquica que mata milhões de pessoas. Wade sai do corredor dos espelhos e é difícil dizer o que é mais traumatizante, sua humilhação sexual ou todos os corpos nas ruas.

Com cinco episódios lançados até agora, Watchmen continua sendo notável e indo bem em cada episódio ao esclarecer seu tema e a razão por Damon Lindelof insistir em magníficos prólogos. Pensando de formar linear, essas histórias que se iniciam no começo dos episódios informam sobre a perspectiva do episódio. Como vimos logo de cara um jovem Wade dizendo que não tem medo de nada e passa metade da vida com medo de tudo. De modo mais pomposo, o medo é como um vírus e ele infecta tudo o que toca em “Little Fear of Lightning” nos mostrando o quanto da vida de Wade foi infectada por esse trauma do medo. Wade mora nos arredores da cidade, com um bunker nas proximidades abastecido até a borda com equipamentos de segurança extradimensionais de uma empresa conhecida como Segurança Extradimensional (EDS). Ele lidera reuniões duas vezes por semana para aqueles que sofrem com o medo de outra queda de lula e tem que ouvir sobre trauma entre gerações de pessoas que nem estavam de perto o fatídico acontecimento em 1985.

Durante o episódio fica esclarecido duas coisas interessantes, como o porquê de sua esposa ter deixado e também como surgiu sua identidade de super-herói, que fica obvio que ela gira tanto em torno de seu medo no qual envergonharia até Bruce Wayne e seus morcegos. A máscara que Wade usa é feita de reflectatina, uma substância produzida pela EDS para proteger a mente do usuário de invasões psíquicas e Laurie Blake é uma detetive onisciente e sabe porque ele usa a máscara.

“Little Fear of Lightning” é uma excelente exploração do medo e seus efeitos corrosivos, pois cada momento que passamos com Wade está tão tematicamente em questão que o episódio mais uma vez irradia uma sensação de alegria narrativa e exploratória, muito parecido com o episódio centrado em Laurie Blake. Certamente o enredo conta com a ajuda de pequenos detalhes específicos, como quando o trabalho de Wade como especialista em grupos focais leva a um comercial de Nova York no qual Michael Imperioli come uma lula frita marinada com limão ou quando a ex-esposa de Wade, Cynthia, aparece para revelar que as pílulas de Angela são nostalgia logo após ela incinerar um pequeno clone de cachorro que não está perto o suficiente de seu progenitor, mais uma cena pesada e que passa um certo impacto para quem ainda não tem o costume de ver séries da HBO.

Cada pequeno detalhe da vida de Wade funciona no nível de contar histórias e emoções, então de alguma forma tudo fica melhor quando Wade volta à vasta conspiração em jogo e se depara com uma mulher chamada Renee em seu grupo de apoio (interpretada por Paula Malcomson) com quem ele imediatamente acaba tendo interesse amoroso. Os dois vão para o bar após a reunião, onde compartilham a origem de seus medos, com Renee revelando que seu medo vem de um filme de Steven Spielberg (longa fictício e que não consta na filmografia real do diretor) sobre o incidente da lula, chamado Pale Horse.

Com o tempo passando e jogando conversa fora, ambos acabam ficado um pouco bêbados e acabam se beijando antes de Renee pegar carona com alguns amigos. Quando um maço de alface cai da traseira do caminhão enquanto se afasta, Wade sabe o que tem que fazer. As cenas em que Wade chega à loja de departamentos abandonada e que a Sétima Kavalaria chama de lar são eletrizantes pelo grande suspense ao estarmos juntos com Wade ao explorar o perigoso local. A Kavalaria está se divertindo com portais e eles precisam da ajuda de Wade e aí que o senador Keene entra para um monólogo útil de vilão de meio de temporada. 

Wade Tillman/Detetive Looking Glass (Tim Blake Nelson) descobrindo a verdade em um vídeo de Veidt – Watchmen / HBO & DC Entertainment

O senador Keene não diz a Wade ou ao público algo que provavelmente não poderíamos ter imaginado por conta própria e isso se torna interessante por ele esclarecer que ele veio a Tulsa para assumir a Sétima Kavalaria após a Noite Branca, para limpar seus atos e se concentrar em coisas mais importantes. Judd Crawford fez o mesmo pelo lado da lei e isso comprova que mais uma vez todo mundo é uma marionete e nem sequer existe um deus azul que pode ver as cordas.

Da mesma forma, o vídeo de Adrian Veidt dirigindo-se ao recém-eleito Presidente Robert Redford não contém radicalmente nada novo para o público que conhece Watchmen. Quem leu a HQ ou pelo menos um resumo sobre os quadrinhos sabe que Veidt projetou todos esses eventos, mas mesmo assim o esclarecimento no show caí como uma chuva de respostas ao apresentar esse momento dentro do contexto da experiência de Wade Tillman.

Durante anos, o medo foi uma maldição para Wade e isso dominou todos os aspectos de sua vida.  Agora, o senador Keene o libertou desse medo com a verdade (em troca do envolvimento de Angela Abar na polícia de Tulsa). Só que não parece que Wade esteja significativamente aliviado pela verdade. A expressão em seu rosto enquanto ele assiste Veidt é pura dor e quando ele volta para casa e encontra um novo sistema da EDS esperando por ele.

Adrian Veidt/Ozymandias (Jeremy Irons) usando capacete para ir ao espaço – Watchmen / HBO & DC Entertainment

Talvez a única coisa pior que o medo que o consumiu seja descobrir que a fonte desse medo não é absolutamente nada. Perder o censo de medo em um sentido é como perder um dogma religioso e a cena em que Veidt aparece nos monitores contando sobre seu plano acaba dando uma clareza extremamente satisfatória sobre o poder da manipulação. Isso também acaba casando quando Veidt rompe com sucesso a atmosfera para escrever “SAVE ME”, na lua Europa que fica nos arredores de Júpiter, com os corpos de Philips e Crookshanks, dando pistas de que ele deve retornar para um mundo sem um deus ou ainda pior, um mundo que já teve um deus, mas não tem mais.

Veidt pode muito bem-estar gritando através do tempo e do espaço para Wade, Angela e o resto de Tulsa. Como qualquer boa história, cada episódio e cada personagem de Watchmen apresenta um tema que no final terá seu encaixe perfeito. Wade teve seu medo, Trieu teve seu legado, Will teve seu mistério e Laurie teve suas piadas. Tudo parece ter respostas nas entrelinhas e nisso Lindelof é um grande mestre, pois o abandono de Deus por sua criação parece tão bom quanto qualquer outro sendo que daí que vêm o medo, o legado, o mistério e a piada final.


Leia a crítica dos episódios anteriores da primeira temporada:

WATCHMEN | Primeiras impressões da nova série da HBO – Episódio #01 (Pilot): It’s Summer and We’re Running Out of Ice (Crítica)

WATCHMEN | Caçada pela verdade em meio a uma vasta e insidiosa conspiração – Episódio #02: Martial Feats of Comanche Horsemanship (Crítica)

WATCHMEN | Eu tenho uma piada. Me interrompa se você já ouviu essa…– Episódio #03: She Was Killed by Space Junk (Crítica)

WATCHMEN | O legado não está na terra, mas no sangue – Episódio #04: If You Don’t Like My Story, Write Your Own (Crítica)


Confira a promo do episódio 06, intitulado This Extraordinary Being”: 

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Watchmen - 1ª Temporada

10

Nota para o episódio:

10.0/10

Prós

  • Elenco
  • História
  • Personagens
  • Prólogo
  • Produção
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