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WATCHMEN | Eu tenho uma piada. Me interrompa se você já ouviu essa... – Episódio #03: She Was Killed by Space Junk (Crítica) - Protocolo XP

Crítica

WATCHMEN | Eu tenho uma piada. Me interrompa se você já ouviu essa… – Episódio #03: She Was Killed by Space Junk (Crítica)

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Ultimamente, muitos gêneros de narração de histórias estão usando frequentemente momentos de contar piadas como inspiração para desenrolar o contexto de uma passagem na trama. Como Watchmen é um conto contemporâneo, o episódio 3 intitulado “She Was Killed by Space Junk”, não adota apenas a estrutura de uma piada, mas com a conclusão do carro caindo no fim do episódio, tivemos aqui a resposta para o hilário acontecimento do segundo episódio, uma cena que em si foi uma surpresa engraçada.

Dando o pontapé nas piadas, este episodio se inicia nos apresentando finalmente a agente Laurie Blake (Jean Smart), também conhecida como Laurie Juspeczyk, também conhecida como Silk Spectre (Espectral II) ou filha do Comediante. Ela entra em uma grande cabine telefônica futurista azul e uma voz feminina robótica revela que esse é um dos arranjos orbitais rápidos de Lady Trieu (que vai aparecer no próximo episódio). Basta pegar o telefone, falar e transmitir sua mensagem ao Doutor Manhattan em Marte. Laurie opta por contar uma grande piada ao Deus Azul.

 “Ei, sou eu de novo. Eu tenho uma piada. Me interrompa se você já ouviu essa…” ela diz antes de começar a contar uma piada que absolutamente ninguém ouviu. Três heróis (soando muito familiares) morrem e vão para o inferno e uma garota (soando muito familiar) mata Deus com um tijolo. Essa é uma simplificação exagerada, obviamente, mas as porcas e parafusos da piada de Laurie estão entre os pedaços mais fascinantes do material que esse programa já produziu (sem mencionar apenas uma ótima piada). A entrega da longa parábola de Laurie dura por todo o episódio, pontuada pela trilha absolutamente maravilhosa de Trent Reznor e Atticus Ross.

Mas quando Laurie termina, ela parece muito mais insatisfeita do que deveria estar. Por fim, ela sabe que nenhuma piada que ela possa contar pode ser mais engraçada do que a já contada pela mensagem robótica gravada,falando que: “Doutor Manhattan vai ouvir sua mensagem em 40 segundos”.

( Jean Smart como Laurie Blake [Silk Spectre II] em cena da série ‘Watchmen’ / HBO & DC Entertainment)

O Doutor Manhattan não vai ouvir a mensagem, ele parou de ouvir há muito tempo, se ele alguma vez ouviu todas essas mensagens enviadas para ele. O Deus Azul não dá mais a mínima para os habitantes da Terra e Laurie conhece uma ótima piada quando ouve uma ao citar que “a coisa mais próxima que Deus tem de fazer é de abandonar a raça humana”, indiretamente isso é uma grande piada sobre como o ser humano é insignificante.

Aqui Lindelof continua com o seu magnífico trabalho de construção da história, pra quem estava impaciente deve ter ficado satisfeito com o produto final deste episódio que é considerado até agora o melhor desta temporada. Apesar do desinteresse de Deus por nossa espécie (um tema recorrente no qual Damon Lindelof adora trabalhar com maestria) e de um ataque terrorista supremacista branco em um funeral, “She Was Killed by Space Junk” é um episódio agradável, emocionante e simplesmente divertido.

A maior parte do crédito para isso, é claro, começa com a fantástica Jean Smart e a sua Laurie Blake. Quando Damon Lindelof optou por incluir personagens originais de Watchmen neste novo mundo, episódios como esse explicam exatamente o porquê de isso acontecer. Laurie desliza positivamente em cena e as atitudes dela mostram que ela realmente já experimentou tudo isso antes, pois nossa Espectral II se tornou uma agente do FBI que participa de uma Força-Tarefa Anti-Vigilantes que lida com vigilantes mascarados e conspirações sombrias e isso é muito fácil para Laurie Blake

Ver ela se inserindo na trama faz com que nós que conhecemos todo esse mundo de Watchmen acabe se conectando também, o que torna tudo um verdadeiro deleite. Laurie aceita vir ajudar o Departamento Mascarado de Polícia de Tulsa, dando aqui o início para uma importante conexão entre passado e presente, o que fica evidente quando ela provoca a diretora do FBI ao forçar que um jovem agente e grande fã dela e dos clássicos heróis mascarados de Watchmen possa participar da investigação com ela.

As coisas realmente parecem acelerar e o enredo de “She Was Killed by Space Junk” é precisamente contagiante, pois Laurie toma a liderança de todas as ações neste episódio, mesmo quando ela despacha rapidamente o mascarado Shadow com uma engenhosa emboscada de um falso assalto à banco. Ela nota os rastros da cadeira de rodas embaixo da árvore pendurada de Judd e também descobre imediatamente que Angela, também conhecida como Sister Night, é uma parte importante dessa história e também provavelmente está escondendo algo.

Laurie é uma grande força do passado de Watchmen e aqui ela entra neste novo mundo de Watchmen de forma suprema, a personagem conhece as engrenagens e desdenha de quase tudo de forma magistral, entretanto, a única coisa que ela erra é que o interruptor de explosão do membro que ela mata da Sétima Kavalaria é real. Mesmo assim é magistral vermos a personagem e temos que concordar, por mais brilhante que sejam os Watchmen originais, Alan Moore e Dave Gibbons provavelmente subutilizaram Laurie / Silk Spectre e todos os outros heróis (exceto o Coruja) representam uma perspectiva política ou filosófica mais ampla, enquanto Laurie era apenas uma “Sex Symbol” ardente.

Para nossa sorte, temos roteiristas inteligentes tomando conta dos episódios desse show, Damon Lindelof e Lila Byock encontram um belo nível de diversão decorrente da merecida confiança de Laurie. Dan está na prisão (a coruja enjaulada é uma clara referência deste lembrete para Laurie e confirmada em uma indireta do senador Keene Jr. em que se ele tornar presidente, poderá tirar a doruja dela da gaiola), Jon Osterman em Marte, Walter Kovacs está morto, Adrian Veidt está em algum lugar. Laurie é a última conexão viva do mundo real com uma era mais antiga de heróis. Ela pode muito bem ser o Deus palpável que o Doutor Manhattan poderia ser para os humanos. 

O jovem agente do FBI certamente parece pensar assim e Laurie sabe disso e age de acordo. O senso de diversão e competência de investigação pura que Laurie traz para o processo eleva o show a um nível totalmente novo. Falando em novo, a grande revelação aqui que temos entre o segundo e terceiro ato deste episódio não foi uma surpresa, todos que já conhecem o mundo de Watchmen já especulavam isso muito antes da série ser iniciada e o que acabamos tendo foi outra coisa nova, tivemos uma luz de que Adrian Veidt possa estar recluso em um lugar estranho e que precise usar talvez a órbita espacial para fugir.

(Jeremy Irons usando a clássica roupa do personagem Ozymandias em cena da série ‘Watchmen’ / HBO & DC Entertainment)

Claro que tudo isso pareça ser somente uma louca história no qual Veidt construiu para se distrair com seus androides, fazendo tudo aquilo parecer real. Mas este mundo que Veidt está trabalhando começa a se sintetizar em cenas que ganham sentido pela revelação que temos. Aqui contamos também com o apoio de um grande ator, Jeremy Irons consegue com elegância transmitir um Adrian que se materializa como um cientista louco e um lorde inglês, o que nos acaba dando sinais iniciais de algumas semelhanças temáticas sobre o que acontece em Tulsa tem uma certa influência na malevolência de Veidt e o simples fato da série começar a revelar mais sobre o presumido cativeiro de Veidt faz com que tudo pareça menos ridículo (embora não menos divertido). Existe um método claro para essa loucura e é manter Veidt longe do mundo que ele ajudou a moldar. No final disso temos um lindo easter-egg, Adrian Veidt se veste com a clássica roupa de Ozymandias, um uniforme bem oitentista que pode parecer ridículo para alguns, mas aqui temos um homem fora do seu tempo usando um aparato que não é atual e sim algo trazido lindamente da graphic novel de Moore e Gibbons.

Parece que finalmente a série nos colocou no que é essa Watchmen atual, pois o show levou os telespectadores a este mundo em uma excelente estreia, ainda que desorientadora. O segundo episódio serviu para aprofundar o mistério e afiar as apostas e agora neste novo capítulo, Laurie chegou para garantir que todos estivéssemos nisso juntos, ainda desorientados, mas nos divertindo para saber o que o futuro nos aguarda, estou bastante otimista.


Leia a crítica dos episódios anteriores da primeira temporada:

WATCHMEN | Primeiras impressões da nova série da HBO – Episódio #01 (Pilot): It’s Summer and We’re Running Out of Ice (Crítica)

WATCHMEN | Caçada pela verdade em meio a uma vasta e insidiosa conspiração – Episódio #02: Martial Feats of Comanche Horsemanship (Crítica)


Confira a promo do episódio 04, intitulado “If You Don’t Like My Story, Write Your Own”:

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Watchmen - 1ª Temporada

9.5

Nota para o episódio:

9.5/10

Prós

  • Elenco
  • História
  • Personagens
  • Prólogo
  • Produção

Contras

  • Lentidão na História
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