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WATCHMEN | Tudo termina. Desta vez de verdade - Episódio #09: See How They Fly (Crítica) - Protocolo XP

Crítica

WATCHMEN | Tudo termina. Desta vez de verdade – Episódio #09: See How They Fly (Crítica)

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Perto do final de “See How They Fly”, Angela Abar deixa para trás toda a tolice que ela carregava. Precisou cair lulas congeladas do céu para que a personagem caísse na real para perceber que tudo termina, de verdade. Ao fugir desta fatal chuva, Angela deixa para trás um quadro verdadeiramente impressionante de caos onde dois possíveis deuses mortos estão nas ruas. Um se transformou em uma lama de sangue e outra foi esmagada sob o peso de seu próprio subterfúgio quântico semelhante a um ovo. Outro deus morto, que Angela amou, está lá em algum lugar do éter ou onde quer que os deuses vão quando morrem.

Angela Abar (Regina King) em momento de tensão – Watchmen / HBO & DC Entertainment

Lenta, mas seguramente ritmada com os sons do pandemônio que desaparecem quando Angela sobrevive ao entrar no teatro em Tulsa. Quando ela entra no prédio, fica tudo silencioso, exceto pelo ruído inofensivo da chuva de lula lá fora. Seu avô, Will Reeves, fica na primeira fila do teatro, onde sua vida mudou para sempre. Os filhos de Angela estão no palco, seguros e dormindo em seus sacos de dormir sob uma luz fantasma, lançando um brilho quente sobre todos. Após o absurdo climático, Watchmen chegou ao seu clímax real.

A conversa de Angela com Will prova que os ovos sempre foram a melhor parte desta refeição. Qualquer propriedade baseada em quadrinhos tem o costume de ameaçar o mundo com um salvamento monumental, mas só Watchmen consegue salvar as coisas ao fazer o mal para ser o bem para as pessoas, principalmente Angela Abar que compreende tudo após um episódio apoteótico.

Will descreve e contextualiza tudo o que Angela já testemunhou através da pele dele e revela para ela também os planos do Doutor Manhattan que já sabia o que iria acontecer com ele e se você queria um milagre termodinâmico, aqui está. Nenhuma série recente fez o passado parecer mais esmagadoramente do que Watchmen. A nostalgia pode ser a dor de uma ferida antiga ou uma terapia aprovada pela FDA de Lady Trieu, mas para os negros americanos em Watchmen, isso é algo ainda mais complicado do que qualquer coisa.

Angela Abar (Regina King) e Will Reeves (Louis Gosset Jr.) conversando no teatro de Tulsa – Watchmen / HBO & DC Entertainment

O passado existe no fio da faca para a América Negra e todos os pontos de desembarque daquela faca são tão dolorosos quanto serem empalados nela. A melhor coisa que Watchmen já fez foi capturar esse sentimento de ansiedade histórica e fazê-lo em um contexto literal, não metafórico. Angela enfrentou o trauma geracional experimentando ativamente a dor de seus ancestrais e tentando entendê-la. Agora, no final, a soma total de toda a dor do passado volta a cair sobre Angela como uma onda furiosa. Angela uma vez pegou um distintivo e depois uma máscara para se esconder de toda a dor. E, no entanto, aqui está ela experimentando mais uma vez, enquanto seus filhos dormem profundamente no palco à sua frente, um retrato teatral de um futuro melhor.

Watchmen não pode curar a dor que Will e Angela experimentaram. Ninguém pode. Mas Watchmen sabe o que não vai ajudar. Através de uma trama pura e empática, a série descobriu que tipo de pessoa coloca uma máscara. É importante saber quem vigia os vigias, mas também é importante saber o que os fez pensar que deveriam ser vigias em primeiro lugar. A catarse emocional apresentada no final da história mais importante de Watchmen significa que este final não pode falhar. Como cortesia profissional, Damon Lindelof e Nick Cuse garantiram que os 67 minutos finais da série fossem de momentos extremamente emblemáticos para o público.

Temos aqui a pura alegria dos quadrinhos com Laurie Blake confusa ao ver Wade Tillman ou a reação igualmente confusa dela ao ver Veidt e se perguntar se ela está no inferno. Watchmen consegue apelar para o passado, presente e futuro onde cada personagem da série acaba ficando envolvido em uma trama que envolve o enfrentamento de uma dor pessoal. Angela se reconecta com seu avô e seu passado. Laurie expia os pecados dela. Veidt finalmente responde por crimes. Wade consegue prender o homem que o fez viver sua vida com medo.

Cenas de destaque do episódio 09, ‘See How They Fly’ – Watchmen / HBO & DC Entertainment

Temos até algo parecido com um supervilão convincente, na medida em que Watchmen tem supervilões, em vez de apenas indivíduos com ideologias morais complexas. O mais impressionante é que o supervilão não é apenas Joe Keene e seu bando de idiotas da Kavalaria. Keene, Jane Crawford e o resto da Ordem do Ciclope acreditam que podem usar o poder do Doutor Manhattan para estabelecer uma Nova Ordem Mundial sob a brancura. Para eles, o verdadeiro tirano nunca foi o deus azul que pode transformar vilarejos vietnamitas inteiros em cinzas com o movimento de seu pulso, mas sim o presidente de Hollywood, que pode tornar suas vidas um pouco mais irritantes.

Depois que perceberam que havia poder e influência muito além do que a Casa Branca poderia oferecer morando em Tulsa, seu plano de dominação nacional mudou. Os Crawford fizeram amizade com os Abar para se aproximarem do Doutor Manhattan, enquanto a Sétima Kavalaria colecionava lítio para criar os muros da eventual prisão do Deus Azul. O fracasso de seu plano se deve à sua própria ignorância e arrogância. Você precisa filtrar a energia atômica. Todo mundo sabe disso, que estupidez! 

O verdadeiro supervilão de Watchmen é a “essência” do antagonista das HQs de Watchmen. Lady Trieu é a filha de um pai, assim como de uma mãe. Sim, Adrian Veidt, o Ozymandias sem saber e sem querer, teve um filho, graças à ousadia de Bian e à fraqueza de sua senha do computador (Bian se junta a Dan Dreiberg na sociedade de indivíduos que adivinharam corretamente que o cara que se chama Ozymandias colocou uma senha que simplesmente tem o significado de “Ramsés II”).

Lady Trieu (Hong Chau) se aproximando da sede da Sétima Kavalaria – Watchmen / HBO & DC Entertainment

Lady Trieu cresceu acreditando que ela estava destinada a grandes coisas por causa de sua linhagem e inteligência. Ela enfrentou o pai, construiu um império de trilhões de dólares, encontrou o Doutor Manhattan e pôs em movimento um plano para colher o poder do Deus Azul. É aqui que Watchmen finalmente revela o outro tema que tem sido acompanhado simultaneamente por suas explorações. A busca pelo poder e a fetichização em aplicar isso perante a sociedade atual. Todo mundo em “See How They Fly” acredita que pode usar o poder do Doutor Manhattan melhor do que ele, desde a Sétima Kavalaria, Lady Trieu e até Will Reeves dizem que “ele poderia ter feito mais”.

Depois que o Dr. Manhattan leva Veidt, Laurie e Wade para a Antártida (com um toque agradável, Laurie superou sua náusea induzida por teletransporte, mas Wade não tem a mesma sorte), o trio pondera a natureza do plano de Trieu e se eles devem interferir. A visão de mundo de Trieu prova ser um pouco menos complexa do que os heróis anteriores em Watchmen, como Rorschach que era objetivista ou o Comediante que era niilista. Trieu acredita, acima de tudo, em si mesma. E esse é o problema. Ela acredita que pode usar o poder para tornar o mundo um lugar melhor. 

O Doutor Manhattan, apesar de toda a sua suposta onisciência, nunca eliminou as armas nucleares, resolveu a fome no mundo ou até simplesmente multiplicou pães. Ele fez o que o governo mandou que ele fizesse e, depois que se cansou disso, foi para o espaço sideral para brincar com suas pedras e, por fim, criar uma vida ineficaz o suficiente para não prender Adrian Veidt adequadamente. O que Trieu e todo mundo estão perdendo é que ganhar o poder do Doutor Manhattan também significa ganhar os encargos do Doutor Manhattan. Ele pode ser um Deus sim, mas ainda existe o “Deus” lá fora.

Seja um criador inteligente, as forças misteriosas do universo ou apenas a velha e chata sorte, ser o Doutor Manhattan é saber que nada acaba. E a incapacidade da humanidade de compreender isso nos torna tão mal equipados para lidar com os poderes do Deus Azul. Trieu e Keene queriam o poder como um meio para atingir um fim, seja paz e harmonia ou terror e subjugação. Mas nenhum desses conceitos é um fim. Depois que as armas nucleares acabarem, ainda estaremos aqui para fazer mais delas. Adrian Veidt acreditou uma vez que salvou o mundo e no entanto, aqui está ele novamente, tentando salvá-lo mais uma vez com uma “reprise”. Nada sempre termina.

Os últimos momentos em vida do Doutor Manhattan que está no corpo de Calvin Jelani/Cal Abar (Yahya Abdul-Mateen II) – Watchmen / HBO & DC Entertainment

Mesmo o fim do Doutor Manhattan não é o fim do Doutor Manhattan. Como o dispositivo de ovo de Trieu está sugando a essência atômica do Manhattan no ar, ele compartilha seus momentos finais emocionantes com Angela. Exceto que eles não são seus momentos finais. Ele já os experimentou na primeira vez que ele e Angela se conheceram. Como eles poderiam realmente ser o fim? Quando Angela pergunta a Jon onde ele está, ele diz:

“Estou em todos os momentos em que estávamos juntos de uma vez”.

Esses momentos nunca desaparecem. Eles nunca terminam como a sombra nuclear de dois amantes se abraçando na parede. Em última análise, os poderes do Doutor Manhattan nunca desaparecem. Will diz a Angela que você não pode fazer uma omelete sem quebrar alguns ovos. É algo que Laurie disse uma vez em sua piada sobre Adrian Veidt e é algo que o próprio Dr. Manhattan disse a Will para contar a Angela. Ela saberá quando for o momento.

E ela faz. Quando ela vai limpar os restos de ovos da noite em que Jon Osterman saiu do túnel, ela encontra um único ovo ileso ainda na caixa. Jon disse que teoricamente ele poderia imbuir seus poderes em um objeto e quem consumisse esse objeto os ganharia. Então Angela come o ovo cru e testa para ver se consegue andar sobre a água. Mas a tela corta por aí, deixando quem sabe um gancho para uma possível segunda temporada, o showrunner Damon Lindelof disse recentemente que uma segunda temporada pode não acontecer (para saber mais detalhes, clique aqui) e então o nos resta é teorizar se a ‘passagem de bastão’ se concretizou ou não.

Angela Abar (Regina King) encaixando as peças e encarrando o legado deixado pelo Doutor Manhattan – Watchmen / HBO & DC Entertainment

Para muitos mim e para muitos, esse final foi enigmático e a história de Angela não pode simplesmente terminar desse jeito, a história do poder e daqueles que ele corrompe não pode simplesmente terminar também. A história do passado racista da América e as máscaras que o ocultam não podem simplesmente acabar com um final obscuro. 


Leia a crítica dos episódios anteriores da primeira temporada:

WATCHMEN | Primeiras impressões da nova série da HBO – Episódio #01 (Pilot): It’s Summer and We’re Running Out of Ice (Crítica)

WATCHMEN | Caçada pela verdade em meio a uma vasta e insidiosa conspiração – Episódio #02: Martial Feats of Comanche Horsemanship (Crítica)

WATCHMEN | Eu tenho uma piada. Me interrompa se você já ouviu essa…– Episódio #03: She Was Killed by Space Junk (Crítica)

WATCHMEN | O legado não está na terra, mas no sangue – Episódio #04: If You Don’t Like My Story, Write Your Own (Crítica)

WATCHMEN | As respostas são espelhadas sem medo – Episódio #05: Little Fear of Lightning (Crítica)

WATCHMEN | ‘Nostalgia’ extraordinária! – Episódio #06: This Extraordinary Being (Crítica)

WATCHMEN | As pessoas que usam máscaras são motivadas por traumas – Episódio #07: An Almost Religious Awe (Crítica)

WATCHMEN | O túnel do amor – Episódio #08: A God Walks Into Abar (Crítica)

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Watchmen - 1ª Temporada

10

Nota para o episódio:

10.0/10

Prós

  • Elenco
  • História e Ambientação
  • Personagens
  • Roteiro e Produção
  • Amarração de Pontas
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